sexta-feira, 18 de junho de 2010

Os 15 anos do Remedinho Amargo


O remedinho amargo que marcou a vida de muita gente, inclusive a minha, completou 15 anos no dia 13 de junho de 2010. Fato que quase passou despercebido por mim, se não tivesse descoberto quarta ou quinta da semana passada através da internet. O remedinho amargo a que me refiro é Jagged Little Pill, o terceiro álbum de Alanis Morissette e o primeiro a ser lançado mundialmente.

Em 1997, eu tinha 12 anos e ouvia falar muito em Alanis Morissette, mas era alienado musicalmente e ainda não era adepto da MTV, então não sabia quem era essa figura tão falada. No verão de 1998, ouvi pela primeira vez o álbum Jagged Little Pill, mas as únicas músicas que me chamaram atenção foram You Learn e Ironic. Gostei muita dessas duas músicas e não liguei para o resto do álbum. Logo liguei a música à imagem e descobri quem era a tal Alanis através de vídeo-clipes. Esperava que fosse mais bonita. Em 1999, escutei o Supposed Former Infatuation Junkie, sucessor do Jagged Little Pill, e gostei de quase todas as músicas. A partir deste ano, comecei a me interessar cada vez mais por Alanis e a gravar seus clipes e shows em fitas de vídeo-cassete. Mais para o fim deste mesmo ano, comecei a descobrir mais músicas do Jagged Little Pill, álbum que eu havia subestimado no ano anterior. Em 2000, Alanis Morissette definitivamente já fazia parte da minha lista de artistas favoritos e a admiração se tornou ainda maior depois que assisti um programa sobre sua vida exibido no Multishow. Sua voz me encantava, assim como também a achei simpática e inteligente. Foi impossível ficar imune a Alanis cada vez que descobria a tradução de alguma de suas músicas. A raiva e a indignação após ter sido traída em You Oughta Know e a bela Unsent - a qual alanis compôs usando trechos de cartas que ela nunca enviou para os caras com quem já se relacionou - me fascinaram. Eu nunca tinha visto em minha vida alguém cantar sobre coisas tão íntimas e de certa forma expor tanto a sua vida pessoal em letras de música.

Então decidi que ia comprar o remedinho amargo. Economizei moeda por moeda e comprei-o em um sábado em meados de dezembro de 2000. Lembro-me que comprei de manhã, em um dia que iria posar sozinho em casa. Esperei até a noite para ouvi-lo. E quando ouvi, entrei em transe. Cada música do álbum, com exceção de Mary Jane (hoje em dia gosto desta canção, inclusive acho que de todas da Alanis esta é a em que a voz dela está mais bonita) e Wake Up, me provocavam arrepios. As melodias, os arranjos e os vocais me agradavam enlouquecidamente. Me identifiquei com Perfect, na qual Alanis fala das pressões e exigências que sofremos por parte da família, que está sempre querendo que sejamos os melhores em tudo e nos comparando com outras pessoas. Aquele grito agoniado que ela dá no trecho "why are you crying..." é de arrepiar. A interpretação vocal de Your House é comovente (por mais piegas que essa palavra soe, não há outra para descrever). A indignação raivosa e eloquente de You Oughta Know também foi incrivelmente marcante. Alguns a consideram como o "hino dos amantes rejeitados", afinal quem nunca se sentiu como Alanis nessa música após levar um par de chifres ou um belo pé na bunda? Aliás, toda essa raiva expressada em You Oughta Know fez com que muita gente pensasse que Alanis era lésbica, pois algumas revistas estampavam Alanis na capa e colocavam chamadas como: "Alanis: a mulher que odeia os homens", assim como também diziam que Alanis havia feito um álbum inteiro de ódio aos homens. Totalmente errado. Alanis nunca disse que odiava homens e muito menos fez um álbum inteiro falando que tem aversão ao sexo masculino. Ela apenas fez uma música para expressar sua raiva após ter sido rejeitada. E nem todas as letras de Jagged são raivosas. Algumas são reflexivas, como You Learn e Ironic e há também a balada Head Over Feet, que fala daquele estado patético de encantamento que as pessoas ficam quando estão apaixonadas e quando tudo é novo. Lembro-me que aquele solo de gaita nesta música foi durante anos altamente viciante para mim.

Assim é Jagged Little Pill: um álbum simples e visceral ao mesmo tempo. Vocais na maior parte do tempo gritados e raivosos, mas as vezes suaves também. Os arranjos são simples, vão do pop rock ao rock alternativo, com pitadas deliciosas de grunge. As letras são confessionais e falam sobre os relacionamentos frustrados de Alanis e sua maneira de ver a vida. Hoje em dia quando escuto Jagged, o impacto musical e emocional já não é mais o mesmo. Acho que a produção poderia ser um pouco menos simplória e ter arranjos mais caprichados e iguais aos que os shows de Alanis tinham ao vivo na época do álbum. You Learn na versão de estúdio tem um simplório arranjo pop rock, mas ao vivo ganhava guitarras pesadas e um belo solo de guitarra virtuoso no meio da música. Mas segundo a própria Alanis e o produtor do álbum, Glen Ballard, ser simples era exatamente a intenção do Jagged: as canções eram compostas em menos de 30 minutos e logo em seguida gravadas. 80% do álbum são as demos originais e nenhuma canção era aprimorada, para que soasse crua e visceral. Sem dúvida, um ótimo álbum dos anos 90 e curiosamente outros três de meus álbuns preferidos também são de 1995: (Wha'ts The History) Morning Glory, do Oasis, The Bends, do Radiohead e Mellon Collie and The Infinite Sadness do Smashing Pumpkins.

Ao contrário do que muita gente pensa, Jagged não é o primeiro álbum de Alanis. É o terceiro, porém o primeiro a ser lançado mundialmente. No Canadá, seu país natal, ela já havia lançado dois álbuns: Alanis (1991) e Now Is The Time (1993). Todos dance-music da pior qualidade. Muitos produtores torceram o nariz para o remedinho amargo, até que a Maverick, gravadora da material girl, contratou Alanis e Jagged se transformou num fenômeno de vendas, vendendo mais de 30 milhões de cópias no mundo inteiro. Alanis, depois de Jagged, lançou álbuns totalmente diferentes, decepcionando a muitos de seus fãs. As músicas de estúdio ficaram mais suaves e perderam o peso de antes e suas performances ao vivo já não tinham mais a mesma agressividade dos tempos de Jagged. Toda vez que Alanis lança um álbum os fãs ainda esperam um "Jagged Little Pill II" e se decepcionam quando o resultado é outro. Talvez a maioria prefira a Alanis raivosa à mulher madura e calma que ela se tornou.

Alanis serviu de referência para cantoras que vieram depois, principalmente para Avril Lavigne, cujo timbre de voz em muitas de suas músicas lembra o estilo de Alanis. Mas a própria Alanis, obviamente, também tem suas referências e inspirações. Alguns acham que Alanis copia ou que no mínimo sua voz lembra a de Dolores O'Riordam, do The Cranberries. Sabe aquele estilo de cantar que muitas cantoras tem, com mudanças de voz que vão do grave ao agudo, com ou sem falsetes, e aquela maneira de cantar gritada e raivosamente com um gemidinho no final de uma frase? Para mim, a precursora nesse estilo de cantar é Sinead O'Connor. Recomendo que escute Jackie, Jerusalem e Troy de Sinead O'Connor e notarão essa influência na maneira de cantar de Alanis e Dolores. Sinead, a carequinha nervosa e revoltada, também abriu portas para cantoras e compositoras que cantam visceralmente sobre seus sentimentos.

Por causa das letras confessionais de Alanis, comecei a me interessar por artistas compositores que seguem esse gênero. E então descobri Bob Dylan, que fez um álbum inteiro falando sobre sua separação, o excelente Blood On The Tracks (1973), a própria Sinead O'Connor, que canta sobre os abusos que sofria na infância e também fala sobre a dor da separação na melancólica canção The Last Day Of Our Acquaintance, Billy Corgan do Smashing Pumpkins e Morissey do The Smiths. Ah, e não poderia deixar de falar de uma cantora indie chamada Liz Phair, que infelizmente passou despercebida pelo grande público. Ela lançou seu primeiro álbum em 1993, chamado Exille On Guyville, e também fazia letras pessoais. A mais chocante delas é Flower, em que fala coisas do tipo: "toda vez que vejo seu rosto fico molhada entre minhas pernas, quero ser sua rainha do boquete e transar até seu pau ficar azul...". Perto dela, a letra de You Oughta Know é cantiga de ninar. Sem falar que por causa da Alanis comecei a me interessar por gaita de boca, e descobri artistas como Aerosmith, Bob Dylan e Neil Young.

Por tudo isso que já foi dito, é que Jagged Little Pill marcou minha vida. Como já falei, nunca tinha visto em minha vida alguém que se abrisse tanto em letras de músicas como Alanis. Um excelente álbum que jamais será esquecido. O mesmo impacto que o remedinho amargo teve em minha vida, Little Earthquakes, de Tori Amos, teve na vida de Alanis. Já estou baixando para conferir que impacto terá na minha.

domingo, 30 de maio de 2010

A falta de conhecimento sobre criação publicitária





























Presenciei ano passado uma conversa que revoltaria a qualquer profissional formado ou estudande de Publicidade e Propaganda. Disse um veterano do curso de Jornalismo a uma caloura do mesmo curso que queria migrar para Publicidade: "Para que cursar Publicidade? Basta fazer um curso de 6 meses de coreldraw ou photoshop que você já é publicitária". Infelizmente pensamentos como esse e a falta de conhecimento sobre a área ainda imperam. A publicidade possui várias áreas de atuação como marketing, planejamento de campanha, atendimento, produção em rádio, tv e cinema, mas talvez no segmento de criação de peças gráficas, justamente a área da Publicidade de que mais gosto e na qual trabalho, é que o desconhecimento e a desvalorização parecem ser maiores.
É lamentável, mas muitos pensam como aquele estudante de jornalismo. Acham que para ser publicitário, especialmente da área de criação, só é preciso saber operar programas como coreldraw e photoshop. Sim, realmente existem pessoas que nunca cursaram Publicidade e Propaganda e que entendem destes programas muitas vezes até mais do que publicitários formados. Porém entender destes softwares não torna ninguém publicitário. Fazer um curso de 6 meses de coreldraw e/ou photoshop pode até deixar alguém mestre nestes programas e fazer com que a pessoa conheça e domine todos os truques e efeitos, mas não é em cursos como esses que você aprenderá sobre psicodinâmica das cores e tipologia das fontes. Só um publicitário formado ou que ainda está cursando Publicidade sabe quais são as cores certas na hora de compor um anúncio. Não há dúvidas de que a cor exerce papel importante no psicológico de cada um. As cores são usadas para estimular, acalmar, afirmar, negar, decidir, curar e, no caso da propaganda, vender. É sabido que temos reações e sensações diferentes para cada cor. Por, exemplo o vermelho é uma cor que excita, aquece e desperta a fome, enquanto o azul-claro acalma e transmite refrescância. Sem dúvida tomar como base os estudos e as associações psicológicas do homem diante das cores é importante no momento da criação de um anúncio, uma embalagem ou qualquer que seja a peça publicitária. A linguagem da cor é um meio atrativo que atua sobre o subconsciente dos consumidores. E nestes cursinhos de programas de edição de imagens também não se aprende sobre quais as fontes adequadas para cada tipo de peça, sobre como diagramar e distribuir elementos dentro de uma criação para que esta se torne atrativa e agradável visualmente. Resultado: peças gráficas poluídas, de mau gosto, com cores e fontes inadequadas, produzidas por pessoas que pensam que entendem do assunto. O que algumas pessoas não entendem é que produzir seu próprio material publicitário, embora mais barato, não agrega todos os benefícios que esse material poderia trazer se fosse realizado por profissionais competentes.
E não é só conhecimento sobre significado das cores e tipologia das fontes que o publicitário deve ter. É preciso ter conhecimentos também sobre psicologia e principalmente sobre a língua portuguesa. Deve-se estudar o comportamento dos consumidores; sobre quais são as razões de fundo psicológico que os levam a comprar e como mexer com suas emoções. Para isso é preciso deixar de lado preconceitos e ideias fechadas, como por exemplo, aquelas ideias de que todos os homens são iguais e de que todas as mulheres são iguais. Um pensamento assim é fechado, retrógado e simplista demais. É óbvio que se analisarmos um grupo de mulheres notaremos várias coisas em comum, como gostos e experiências. Mas apesar das semelhanças, não podemos esperar que todas sejam iguais porque cada uma traz consigo uma bagagem cultural própria, conhecimentos e experiências distintas, de acordo com o ambiente que foram criadas. Também devemos levar em consideração outros fatores como religião, regionalismo e classe social. O mesmo se diz dos homens. Apesar das semelhanças, as pessoas jamais serão totalmente iguais justamente por causa destes fatores que foram citados, que moldam a personalidade de cada um, criando vários estilos de vida, tribos e valores diferentes. Há o público infantil, jovem, adulto, idoso, masculino, feminino, de classe baixa ou alta, enfim, há uma infinidade de grupos e tribos, fazendo com que a publicidade seja segmentada, cabendo ao publicitário conhecer o público ao qual se dirige. A maneira de se criar uma peça publicitária para uma ortodoxa dona de casa, esposa e mãe, submissa ao marido e aos filhos é totalmente diferente da maneira de se compor uma peça para uma mulher jovem, solteira, moderna e independente financeiramente.
Conhecer e dominar a língua portuguesa não é só dever de jornalista e de profissionais de Letras. Escrever uma redação publicitária requer conhecimento da língua e uma cuidadosa seleção lexical, afinal palavras são sedutoras, podem tanto atrair como afastar.
Espero ter contribuído de certa forma, com este texto, para acabar com os "achismos" que ainda predominam e que a publicidade, em especial a área de criação, não é uma tarefa arbitrária e que exige apenas o domínio de programas de edição de fotos, e sim uma arte, uma técnica que exige muito estudo, conhecimento sobre os significados das cores e as sensações psicológicas que elas despertam nos seres humanos, sobre signos e semiótica, língua portuguesa, sociologia, filosofia e psicologia, aliando sempre o conhecimento empírico ao conhecimento científico.

domingo, 23 de maio de 2010

Figuras históricas de Cruz Alta




A grande maioria das escolas do município de Cruz Alta, região noroeste do Rio Grande do Sul, leva o nome de algum personagem histórico da cidade, porém os cruz-altenses muitas vezes desconhecem quem foram estes personagens e qual foi a importância deles para a cidade.


Um exemplo disso é a professora Margarida Pardelhas, cuja importância para o desenvolvimento da educação em Cruz Alta foi fundamental. A Escola Margarida Pardelhas, que leva o nome desta ilustre mestra, nem sempre se chamou assim. Margarida Pardelhas nasceu em 4 de maio de 1886 na cidade de Porto Alegre. Era filha de José Pardelhas e Simpliciana Pardelhas. Veio para Cruz Alta em 1904 como professora do Colégio Distrital onde trabalhou até ser nomeada diretora do colégio, que recebeu o nome de Colégio Elementar Venâncio Aires. Foi diretora deste estabelecimento de ensino durante 19 anos. Como diretora permaneceu até 1933 ao ser transferida para Porto Alegre, sua terra natal, onde fundou a atual Escola Normal 1º de Maio. A seguir foi para Pelotas como diretora da Escola Normal Assis Brasil e lá permaneceu por quatro anos. Em Cruz Alta lecionou 25 anos, onde completou seu jubileu. Quando foram criadas as delegacias de ensino em 1939, foi convidada para escolher a sede que lhe caberia como dirigente de uma delas. Escolheu a 9ª Delegacia Regional de Ensino em Cruz Alta. A mestra e professora Margarida Pardelhas, no alto desempenho de sua função como delegada, à frente da 9ª Região Escolar, que organizou como titular o cargo uma notável administração, veio a falecer em 7 de julho de 1942. Era solteira e deixou os familiares tristes, porém orgulhosos de suas ações. O Colégio Elementar Venâncio Aires, da qual fora fundadora, após sua morte, prestou sua mais sincera homenagem perpetuando para sempre seu nome. Foi assim que o Colégio Elementar de Cruz Alta, pelo decreto nº 741 de 27/03/1943, passou a denominar-se Grupo Escolar Margarida Pardelhas, em homenagem àquela ilustre mestra que tanto esforço dispendia para elevar cada vez mais o ensino.


Outro personagem que deu nome a uma escola da cidade é o professor Heitor Annes Dias. Filho de Lúcio Annes Dias e de Balbina Lopes Dias, nasceu em Cruz Alta, em 19 de julho de 1884. Fez seus estudos de Humanidades no Ginásio Conceição de São Leopoldo. Ingressou aos 14 anos na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, integrando a 2ª turma de alunos por ela diplomados em 1905. Formou-se também em Farmacologia. Aos 21 anos casou-se com Carolina de Revoredo e fixou residência em Cruz Alta. O casal teve dois filhos: Carmem e Cássio Annes Dias. Em 1908, com 23 anos após brilhante concurso, foi nomeado professor de Medicina Legal e Toxicologia, iniciando a sua bem sucedida carreira de professor em Porto Alegre. A seguir foi indicado para a cadeira de Medicina Legal na faculdade de Direito. Durante nove anos lecionou esta disciplina. Em 1917 viajou para a Europa, onde ocorreu a transformação do bom professor de Medicina Legal no grande mestre de Clínica Médica. Ao retornar, em 1918, após proveitoso estágio nos hospitais de Paris, onde esteve a serviço do maior mestre da medicina francesa contemporânea, Widal, foi indicado provisoriamente para a Cátedra (cargo ou função de professor de disciplina de nível universitário, ocupado por professor titular) da 3ª Clínica Médica. Começa aí uma nova etapa para a medicina gaúcha. De 1919 a 1934, quando eleito deputado à Constituinte, embarcou para o Rio de Janeiro, exerceu a Clínica, lecionou e escreveu seus primeiros livros. Em 1934, a Medicina venceu a política e o professor foi transferido para a Universidade do Brasil, na capital federal. Lá seu talento pôde atingir a plenitude do amadurecimento e a sua obra tornou-se mais plena. Annes Dias foi, acima de tudo, um professor e um investigador. Ensinava com competência e sabedoria. Poucos cruz-altenses sabem, mas Annes Dias foi o primeiro médico brasileiro que mostrou as vantagens e os benefícios que o laboratório traz, como coadjuvante da medicina e da cirurgia e o criador de um capítulo novo da medicina mundial: a metereologia clínica.

domingo, 18 de abril de 2010

Resultado da soma de vários artistas











Para muitos adolescentes de hoje em dia que pouco conhecem sobre música de outras épocas, Joanne Stefani Germanotta, mais conhecida como Lady Gaga, parece ser uma cantora inovadora. Talvez por estarem acostumados com cantoras como Katy Perry e Rihanna, a nova geração vê Lady Gaga como uma artista inovadora por ter um visual incomum se comparada com outras cantoras contemporâneas. Irreverente, sim. Inovadora não.
Tudo o que Lady Gaga faz em termos de música e de imagem (começando por seu nome artístico, afinal Gaga é uma referência à canção Radio Ga Ga do Queen) não é nenhuma novidade para quem conhece artistas de épocas passadas, e não apenas aqueles que surgiram a partir da década de 2000. Quando vi Joanne, ou Lady Gaga, pela primeira vez, no clipe "Just Dance", talvez por seus cabelos louros e sua aparência e dancinhas sensualizadas, logo pensei: "Apenas mais uma de milhares de cantoras tentando ser uma nova Madonna, ou talvez até uma cópia de Britney Spears". Mas logo outros clipes de Gaga foram surgindo e percebi que não é só a rainda do Pop que ela quer copiar, ou se inspirar, ou como preferirem. Em muitos clipes, sua maquiagem esquisita bem como penteados e vestimentas andróginas, lembram David Bowie e a diva pop espalhafatosa dos anos 80, Cyndi Lauper; a própria Lady Gaga já afirmou que Cyndi é uma de suas inspirações. Reparem também como o penteado que Gaga aparece na tomada em que está descendo de um carro e sendo fotografada no clipe de Papparazi é bastante parecido com o penteado de Cindy Wilson, do B-52's, no clipe de Legal Tender, de 1985, o ano em que nasci. Também é impossível não comparar Gaga com Grace Jones e a esquisita Nina Hagen. Para quem considera Lady Gaga como uma esquisitona da música por ter um visual chocante, saiba que ela está longe de ser uma pioneira dos esquisitões...
O visual de Gaga nada mais é do que o resultado da soma de vários artistas que faziam sucesso quando ela não havia sequer nascido. David Bowie chocava o público com seu visual andrógino nos anos 70; o público da época talvez nunca tivesse visto antes algum artista com aquelas vestimentas e maquiagem estranhas (ele chegou a declarar que era um ET). Alice Cooper também causou impacto por sua aparência e performances bizarras na mesma época. Nos anos 80 foi a vez de Siouxie, vocalista da banda pós-punk new wave Siouxsie and The Banshees apostar em um visual incomum, que serviu como base para a moda gótica e punk. Não podemos deixar de citar também a bochechuda e escandalosa Cyndi Lauper, com seus cabelos coloridos e roupas estravagantes, estilo que Nina Hagen também adotava. Já nos anos 90, foi a vez de Marilyn Manson criar polêmica por sua imagem nada usual.
Em termos de música, Lady Gaga também não apresenta nada de novo. Apenas copia velhas fórmulas que há muito tempo já foram usadas e que já conhecemos. O produtor do disco aposta em sintetizadores, bateria eletrônica e refrões grudentos, algo que já vimos muito nos anos 80, em músicas de Cyndi Lauper, Madonna e Depeche Mode.
Mas devo confessar que algumas músicas do álbum Fame Monster me agradaram, como Paparazzi, Summer Boy, Brown Eyes e Love Game. Ao menos têm boas melodias, ao contrário do som plastificado, sem graça e insosso de Britney Spears e outras do gênero

segunda-feira, 8 de março de 2010

Desfecho frustrante, mas ótimas cenas




















Sim, o final é decepcionante, como algumas pessoas haviam me dito, inclusive a funcionária da locadora onde loquei o filme. Mas ainda assim, Os Estranhos não pode deixar de ser considerado um bom filme de suspense.

O casal Kristen e James, interpretados respectivamente por Liv Tyler e Scott Speedman, vivem uma noite de pesadelos quando se hospedam na casa do pai de James. O que era pra ser uma noite romântica e de reconciliação - já que o casal havia brigado - se torna um inferno a partir do momento em que uma estranha mulher cujo rosto não aparece para o telespectador bate na porta pedindo informações. Kristen fica sozinha enquanto seu marido (não sei se é o termo correto, pois o filme não deixa claro se eram casados) sai para dirigir e é perseguida por um trio de sádicos mascarados extremamente assustadores. Ao longo do filme me questionei se se tratava de uma armação de James ou se os três mascarados eram na verdade fantasmas, pois a maneira como surgiam e logo após desapareciam era quase sobrenatural. O estreante roteirista e diretor do filme Bryan Bertino acertou em cheio na iluminação e nas cores fortes e contrastantes, o que contribui para tornar o filme tenso e para que nem sempre o telespectador possa identificar claramente o que está acontecendo. Genial a cena em que Kristen está na cozinha e um dos assassinos mascarados surge sutilmente e a observa por algum tempo. Para mim a cena mais marcante e assustadora do longa. E é claro que não poderiam faltar os clichês básicos que aparecem em todos os filmes de terror, como quando o casal decide se separar para verificar o que está acontecendo; James corre floresta a dentro enquanto Kristen fica sozinha na casa, sendo que se ficassem juntos teriam muito mais chances de se defender. Mas sabem como é, esses clichês nos parecem ridículos porque são totalmente diferentes das atitudes que teríamos na vida real diante de uma situação de perigo, entretanto servem para aumentar o suspense e contribuem de certa forma para a história do filme.

Final frustrante? Sem dúvida. Porém Os Estranhos vale a pena ser olhado pelos amantes de terror e suspense porque é inegável a sua eficiência em causar sustos e fazer com que o telespectador seja envolvido pelo clima de tensão que começa quando o casal chega à casa do pai de James e dura até o final. Há rumores de uma continuação, o que talvez justifique o desfecho abstrato que não explica as dúvidas do telespectador sobre o porquê dos acontecimentos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Cynthia surgia na escuridão, há um ano atrás



No verão de 2000, estava eu em meu quarto zapeando pela tv, quando vejo em um canal, um vídeo clipe no qual aparecia uma mulher de cabelo vermelho berrante ao som de uma bela música lenta. A canção me agradou e a imagem daquela mulher exótica me chamou atenção. Peguei papel e caneta para anotar. O nome da música era "Time After Time" e a cantora era Cyndi Lauper. Acho que é a partir daí que começa a minha história...
Aqui estou eu exata e vergonhosamente um ano após a apresentação de Cyndi Lauper em Porto Alegre escrevendo sobre aquele inesquecível show que marcaria a minha vida para sempre. Já aviso antecipadamente aos fãs da cantora que, antes de me jogarem pedras quando lerem algo neste texto que não concordem, lembrem-se que a internet é um meio de comunicação democrático, então sinto-me livre para expressar minha opinião sobre o show neste blog.
Ainda no mesmo ano de 2000, assisti a um documentário sobre a vida de Cyndi. A admiração foi instantânea. Sua vida não foi nada fácil antes de atingir o estrelato. Discriminada por ter pais divorciados, Cyndi sofreu humilhações em escolas católicas onde estudava. Ela conta que, certa vez, quando era criança, ao brincar de massagear uma coleguinha, foi surpreendida por uma freira que a chamou de lésbica. Baixou suas calças e a humilhou diante de todos. Cyndi disse que nem sabia o que significava a palavra lésbica. Nesse mesmo documentário, descobri que já conhecia a música "Girls Just Want To Have Fun" (que simplesmente "grudou" em minha mente), além de descobrir músicas como "Money Changes Everything" e "True Colors". A imagem incomum de Cyndi; com cabelos coloridos e roupas irreverentes, seu jeito de ser ora cômico ora sensível e sua trajetória me conquistaram de imediato. Então passei a comprar cds e dvds, e constatei toda a potência da voz de Cyndi ao vivo, bem como sua presença de palco, sua entrega e simpatia com o público. Assim estava formada a imagem de Cyndi Lauper em meu imaginário: uma mulher alegre, espalhafatosa, usando roupas e cabelo incomuns, humanitária e humilde.
No inverno de 2008, começaram os boatos de uma turnê de Cyndi no Brasil, que passaria por Porto Alegre. Não demorou muito para que a turnê se confirmasse, para a minha alegria e também desespero. Desempregado, como arranjaria dinheiro para ir ao show? Tempo era o que não me faltava, pois o show aconteceria no dia 19 de novembro. Surgiram entrevistas de emprego e de estágio, mas nada foi concretizado. Lembrei-me da cena do filme "...E o Vento Levou" em que Scarlet O'Hara agarrando uma cenoura perto de uma árvore, diz algo como: "Por Deus eu juro, nem que eu tenha que matar, roubar, mentir, trair, jamais sentirei fome novamente!". Estava desperado diante da falta de dinheiro, mas ao mesmo tempo coloquei em minha cabeça que iria a esse show de qualquer maneira. Minhas expectativas quanto ao show eram as melhores, e imaginei que se eu fosse, seria o mais jovem dos fãs na platéia, pois achava que os adolescentes de hoje não conheciam Cyndi Lauper e a maioria das pessoas teria acima de 30 anos. Consegui uma grana, comprei o ingresso e numa terça-feira, dia 18 de novembro, embarquei em um ônibus rumo a Porto Alegre.
Ansiedade e expectativa eram sentimentos inevitáveis. Hospedei-me no apartamento de uma amiga e à noite, eu, ela e seu namorado assistimos aos dvds "Live In Paris" de 1987 e "At Last... Live", de 2004. Ambos ficaram encantados com a presença de palco o jeito irreverente de ser de Cyndi em "Live In Paris", como também se surpreenderam com sua ótima performance vocal em "At Last... Live". Começamos a discutir se o show lotaria ou não. Minha amiga disse que não; seu namorado imaginou que sim, e que o melhor seria eu ir bem antes do horário marcado para o início do espetáculo, afim de conseguir um bom lugar.
Na quarta-feira, dia 19, o dia do tão aguardado show, a ansiedade e a expectativa triplicaram. Por algum motivo, comecei a achar que poucas pessoas compareceriam ao show; então não precisaria ir tão cedo, visto que o show estava marcado para às 21 horas. Não lembro o horário exato, mas creio que lá pelas 18 horas e 30 minutos, peguei um táxi e me fui rumo ao Teatro Bourbom Country. Chegando lá, frustrei-me com a pouca quantidade de pessoas na fila. Entrando no teatro, poucas pessoas lá se encontravam (aliás, para a minha sorte, foi permitida a entrada de câmeras digitais). Fui para a frente da pista, onde tinham estruturas de ferro que separavam a pista do palco. Tentava enxergar a distância entre a pista e o palco mas não conseguia, torcendo para que fosse a menor possível. Comecei a conversar com duas gurias da cidade de Viamão. Comentamos sobre a escassez de pessoas no teatro, mas elas acreditavam que ainda era cedo e que o público chegaria mais perto das 21 horas. Ficamos imaginando qual seria a primeira música que Cyndi Lauper cantaria, se entraria no palco exatamente no horário marcado etc. Quando me dei conta, a quantidade de pessoas no teatro era enorme. A pista ficou lotada, assim como o mezanino e a área vip. Qualquer movimentação no palco fazia com que o público pensasse que já era Cyndi Lauper e gritavam seu nome histericamente. Essa expectativa e ânsia para que inicie logo o show é indescritível. E a gritaria continuava cada vez quem alguém entrava no palco afim de ajustar algum equipamento. Imaginei que quando iniciasse o show, um telão e um jogo de luzes apareceriam no palco criando expectativa, a banda faria uma introdução e então Cyndi entraria no palco. Mas para a minha surpresa...
Às 21 horas em ponto, Cyndi Lauper apareceu no palco. Sem luzes, sem banda, apenas ela. Ela falava algo em inglês que eu não conseguia traduzir, e parecia estar descontente com algo. O público delirava. Cyndi repetiu a indecifrável frase várias vezes e eu cheguei a pensar que ela não queria câmeras fotográficas na platéia (afinal eu ouvi um boato que Cyndi estava blasé). Então, iniciou-se o show, com a clássica oitentista “Change of Heart”. Os fãs enlouqueceram. Inesperadamente, Cyndi desceu do palco e ficou na distância mínima que separava o palco da platéia. Ia de um lado para outro, pegando nas mãos das pessoas. Tentei o máximo que pude ir para a primeira fileira para ao menos encostar em sua mão, mas não obtive sucesso. Cyndi, no início do show, parecia estar irritada, mas não descontou no público e não demorou para que fizesse suas clássicas “dancinhas” exatamente como as que eu via nos dvds. Logo após “Change of Heart”, Cyndi cantou algumas músicas de seu último cd, “Bring Ya to the Music”. O público sabia de cor as letras, ao contrário de mim, que sou um fã saudosista e esperava mais pelos clássicos dos anos 80. Cyndi desceu várias vezes para a frente da platéia, e todos da primeira fileira pegaram em sua mão. Tentei várias vezes, sempre sem sucesso. Foi aí que me arrependi de não ter ido mais cedo. Apesar de estar em uma posição privilegiada, onde via tudo de perto, não consegui tocar em sua mão nem trocar palavras com ela. Um guri que estava na platéia comentou: “Ela é do povão, por isso eu gosto dela”. Eu concordo.
Depois de cantar músicas do último álbum, Cyndi tocou “All Through The Night”, clássico do cd de estréia “She’s So Unusual”, de 1983, para o delírio dos fãs mais retrôs como eu. Em “She Bop”, se não me engano, a pobrezinha derrubou o pedestal e fez uma carinha de desconcertada. À certa altura do show, os fãs cantaram “Happy Birthday To You” e não entendi por quê, afinal seu aniversário é em julho. Muito legal da parte de Cyndi ter cantado músicas que não estavam incluídas em seu repertório apenas porque os fãs pediram (creio que “Shine” e “Good Enough”, esta última sucesso da década de 80 que não podia faltar). Com uma energia inesgotável e grande potência vocal, Cyndi Lauper colocou o público do teatro abaixo quando cantou hits como “Money Changes Everything”, “Girls Just Wanto To Have Fun”, “Time After Time” e “True Colors”. Não apenas Cyndi é merecedora de elogios, o público também o é (aliás, para a minha surpresa eu não era o mais novo na platéia. Havia uma grande quantidade de adolescentes). As pessoas cantavam animadíssimas, gritavam, vibravam e pulavam do início ao fim. Pareciam hipnotizados pela presença de Cyndi. Também não poderia ser diferente. Há como ficar parado e triste em um show de Cyndi Lauper? No final, todos deixaram o teatro com sorrisos estampados no rosto, elogiando e satisfeitos com a apresentação.
Críticas de minha parte? Sim. Achei que o show poderia ter uma produção melhor com direito a telão, jogo de luzes e troca de roupas. Sim, eu sei também que muita gente vai dizer que Cyndi não precisa disto, e que hipnotiza a platéia apenas com sua presença e voz, ao contrário de outras cantoras que compensam sua deficiências vocais com shows onde o forte são as imagens e as mega-produções. Porém, uma produção melhor não faria mal algum ao show de Cyndi. A Cyndi Lauper que eu tinha formada no meu imaginário corresponde à Cyndi que vi ao vivo? Sim, mas talvez um pouco menos simpática e sorridente do que esperava. Também achei frustrante a maneira como ela entrou no palco, mesmo sabendo que a culpa não foi dela. Uma estrela da música jamais deveria entrar no palco na total penumbra (somente quando retornei para casa, através do orkut, descobri que não ligaram as luzes quando Cyndi entrou, e que a tal frase indecifrável era: “Can I have a light?”. Também descobri que o público estava cantando “Happy Birthday To You” para o filho de Cyndi, Declyn, que estava de aniversário naquele dia). Talvez fosse desnecessário a presença de outra mulher na banda, a tecladista e backing vocal. Cyndi deveria ser a única mulher.
Hoje completa um ano do show de Cyndi Lauper. E toda vez que lembro dele, não importa o quão mal-humorado esteja, um sorriso me vem ao rosto. Afinal não é sempre que podemos ver tão de perto alguém que faz parte de nosso imaginário e que achávamos que nunca veríamos ao vivo. E tomara que um dia Cyndi retorne ao Rio Grande do Sul. Dessa vez com as luzes bem acesas.

domingo, 31 de maio de 2009

Esperando pelos cheques

Pensamento positivo realmente é benéfico para nossas vidas, mas não creio que cause milagres dignos de filmes hollywoodianos como pregam os livros de auto-ajuda. Em 2007, o livro O Segredo e o documentário homônimo viraram uma verdadeira febre mundial vendendo milhões de exemplares pelo mundo afora. Eu, que sempre tive aversão à literatura de auto-ajuda, imediatamente reprovei o livro e critiquei-o exaustivamente. Mas decidi que para ter ainda mais argumentos para fazer comentários desfavoráveis sobre o fenômeno O Segredo, deveria ler o livro antes de postar este texto no blog. Foi o que fiz semana passada. E o conteúdo de O Segredo era exatamente o que eu esperava que fosse.
Lares perfeitos, amores como você sempre sonhou ter, carros, empregos e promoções. Segundo o livro, você pode ter tudo isso em sua vida desde que pense positivo. Pessoas que viviam na mais completa miséria deram seus depoimentos dizendo que viraram milionários como em um passe de mágica. Outras contam que tinham doenças incuráveis e graças à força do pensamento livraram-se delas do dia para a noite. E aí você lê coisas como: “não importa quem você é ou onde está. O segredo pode lhe dar o que você quiser”, “O Segredo lhe dá tudo o que você quiser: felicidade, saúde e riqueza” e “tudo o que entra em sua vida é você que atrai por meio de imagens que mantém em sua mente”. Até aí tudo bem. O problema é quando li depoimentos de pessoas que afirmam que recebiam cobranças diariamente pelo correio, mas depois de lerem O Segredo passaram a receber cheques milionários por correspondência. O riso foi inevitável após ler tamanho absurdo. E os absurdos que me causaram gargalhadas não param por aí. De acordo com O Segredo, uma pessoa é obesa não por sua genética ou pela quantidade de comida que consome, e sim porque tem “pensamentos obesos”, pois se tivesse “pensamentos magros” seria magra.
O que o livro prega basicamente é que se você passar a pensar positivamente, sua vida mudará, você será milionário e terá tudo o que quiser. Se pensar sempre de forma positiva fosse a solução para nossos problemas, seria ótimo. Mas sabemos que na prática as coisas são diferentes e ainda não foi inventada uma fórmula mágica para que sejamos felizes o tempo inteiro. O pensamento positivo não tem nenhuma contra-indicação e faz bem a saúde mental, mas não é uma garantia que tudo vai dar certo em sua vida. A vida é cheia de acasos, coincidências e acontecimentos inesperados, e garanto a você que não há pensamento positivo que possa evitar certos fatos. E contrariando aquilo que a lei da atração afirma no livro, de que tudo de ruim ou bom que nos acontece é porque nós mentalizamos e consequentemente atraímos, todos sabemos que podemos sair de casa felizes, achando que tudo vai dar certo naquele dia, e mesmo assim sermos atropelados em uma rua qualquer; bem como podemos estar mal-humorados e pessimistas e de repente as coisas começam a dar certo (essas questões não são respondidas no livro, e as pessoas que acreditam no conteúdo dele também não sabem responder, ao menos de maneira convincente). Realmente acho que uma pessoa otimista tem mais chance de alcançar seus objetivos em comparação a uma pessimista, mas não por uma questão mística ou algo do gênero, e sim porque a pessoa otimista não desiste facilmente de seus propósitos por acreditar que vai dar certo, já a pessimista não sai do ponto de partida em busca de suas metas pelo medo do fracasso. Agora afirmar que o pensamento positivo faz com que você sempre consiga tudo o que deseja é ingenuidade, para dizer o mínimo. Algumas pessoas bem-sucedidas na vida falam que outras não se esforçam e não batalham pelo que querem. Em alguns casos até pode ser esta a causa do fracasso, mas em outros não. Há pessoas que batalham anos por um emprego ou por outro objetivo, mas jamais os conseguem. Enquanto outras conquistam o que querem em um piscar de olhos. Não precisam batalhar, as oportunidades simplesmente surgem para elas. Se isso é uma questão de sorte, de puro acaso ou mística/espiritual, é uma questão do ponto de vista de cada um.
O livro recomenda também que, cada vez que um pensamento ou recordação que o deixar triste surgir em sua mente, você escute uma música que o alegre. Tente fazer isso no dia em que morrer alguém de quem você goste e você verá que não adiantará. E mesmo que adiante, essa felicidade seria momentânea e falsa, porque querendo ou não a dor de perder alguém querido virá mais cedo ou mais tarde. É como ir a uma balada no dia da morte de sua mãe para não sentir-se triste. Tentar fugir dessa dor é apenas protelar o período de luto, que é inevitável e virá com mais intensidade se não for vivido no momento certo.
Contudo, para a minha surpresa, nem todo o conteúdo de O Segredo é baboseira. Há algumas dicas relativamente úteis sobre auto-estima, como por exemplo não subestimar nossa própria inteligência e acreditar em nossa capacidade.
Enfim, poderia concluir dizendo que simplesmente detesto literatura de auto-ajuda e que livros como O Segredo são escritos sob medida para pessoas ignorantes, mas nesse caso estaria arrumando briga com aqueles que acreditam na ideologia de que o pensamento positivo muda tudo para melhor, e não é essa minha intenção. O que posso concluir com 100% de certeza é que não sou ingênuo o suficiente para acreditar que vivo em um conto de fadas no qual minha vida será repleta de momentos felizes em tempo integral e isenta de problemas após descobrir um segredo. Sim, acredito que pensamento positivo traz benefícios, mas não é uma garantia de que tudo vai dar certo, pois existe o acaso e várias outras coisas que independem de nós e que podem nos impedir de conseguir o que queremos. A vida é assim mesmo, alguns sonhos vamos realizar e outros não, talvez o segredo mesmo seja saber lidar com a frustração e seguir adiante. Acredito também que o conceito de felicidade é pessoal; e não uma receita que possa ser vendida em livros, revistas e documentários. Agora já posso dizer que li O Segredo, mas os cheques milionários ainda não chegaram na minha caixa de correio...